Amanda adorava ir à missa. A batina negra, os braços erguidos com a hóstia na mão, o altar, os sacristãos, as freiras, as imagens nuas pintadas por todos os lados. Em seu fogo, fantasiava o paraíso.
Dedilhava o teclado do computador como se fosse um pandeiro. O tilitar dava ritmo às rimas e a ansiedade se convertia em palavras. Mesmo assim, seus versos, feitos em ritmo de samba, eram lidos como se fossem Mozart.
Noite. Navegava num mar tranquilo, porém longe de qualquer lugar. A luz que surgiu no horizonte convidava a chegar. A sensação que se fez foi de voltar para onde nunca estivera.
Na seca que queimava os botões de rosas que não abriram, lembrava de outra primavera. Havia flores, capim verde e um irrigador que volta e meia virava noites ligado.
Carregava restos. Garrafas, caixas, isopor. Feito barata, era ignorado por olhares neutros. Desconfiava que muitos se desfizeram de sorrisos... Em sua lida diária, reciclava alegrias desprezadas.
Foto do Pão-de-Açúcar, Rio de Janeiro- setembro/2011
Todas as vezes que via o sol se por, pensava que poderia ser a última chance. Ciente de que uma vez acertaria, curtia a luz, a cor, o som que jurava ouvir quando o mar fervia em cada entardecer.
Estavam lá as Garotas de Ipanema, mas o vento sul de fim de inverno lhes trouxe agasalhos nas caminhadas matinais. O Rio continuava lindo, mas voltaria em janeiro, quando é maravilhoso.
Quando esse post for publicado, estarei prestes a embarcar: de Porto Alegre a Porto, Portugal.
Lá de cima observarei os blogueiros amigos. Olhem para cima! Posso estar acenando!
Tropeçou. Parecia não ter sido tão desastroso. Equilibrou-se, mas o salto 15 se foi. Um pé no alto e outro para o alto. Não fosse o sorriso dele a apoiá-la, casaria noutra ocasião.