Suspenso no escuro, sentiu-se oprimido, empurrado, esmagado, extrusado. Em desespero, abriu os olhos, mas a luz era insuportável. Desafogado, chorou.Demorou-se chorando, até aprender a falar.
trocou o tecto da casa pelo chão da rua. vendeu-se. inalou. roubou. olhar vago, num sem futuro. primeiro o pai, depois o tio, o garçon, o taxista e o turista. mundo cão. mundo hipócrita. mundo podre.
Estava com pressa. O sinal parecia demorar-se mais que o usual para abrir-se. Olhou para o lado e viu os meninos jogando futebol. Viu-se flutuar no tempo e num insight entendeu a lei da relatividade.
Tentou lembrar qual seria sua memória mais antiga. Concentrou-se e foi voltando no tempo. Terminou numa terna sensação de aconchego e logo lembrou-se do colo absoluto de sua mãe.
Abriu a janela e sentiu o vento entrar. A nostalgia o levou à infância e viu-se balançar na árvore do tempo... Ouviu sua mãe chamando para o almoço... Sentiu o aroma da cozinha da Rua Herval, 51.